Halloween desanimado

“Por que gostamos de ler sobre tortura, monstros sádicos e pessoas cruéis? Por que apreciamos nos assustar lendo sobre eventos que torcemos nunca presenciar, quanto mais participar?” – Herbert van Thal

As perguntas introdutórias da coletânea de histórias de horror da editora Pan não poderiam ser mais universais. Acho que quase todos aqueles que apreciam o gênero se fazem essas perguntas pelo menos uma vez na vida. Há um certo prazer cruel em sentir aquele frio na espinha, em olhar para o canto escuro da sala e esperar ver uma sombra quieta te observando de volta. De onde vem esse gosto sombrio?

Inúmeras pesquisas já foram feitas sobre o assunto. Revistas, livros, cinema, teatro… todas as áreas culturais fizeram uso dessa força que mantém o público sempre atento aos próximos lançamentos. É interessante acompanhar a procura do público por matérias macabras, e ainda que muitas vezes as coisas saiam do controle – como o caso dos palhaços nos EUA – todos continuam indo atrás.

Como alguém que morre de medo mas que adora um bom filme/livro de terror, me pego sempre indo atrás dos lançamentos mais recentes. Adoro quando vai chegando perto do Halloween porque parece ter novidade para todos os lados, e na falta de coisas novas, clássicos são reformulados. Aproveitando esse período, comprei vários livros com contos sombrios e aproveitei parar reler alguns do grande Edgar Allan Poe.

Só que hoje sinto certo desânimo. Várias histórias que eu adorava agora parecem bobas, e o mesmo ocorreu em relação aos poucos filmes que tive a chance de rever. O frio que eu costumava sentir na espinha desapareceu, e mesmo quando tento me imaginar nas situações mais aterrorizantes tudo parece ser feito de fumaça. Nada me traz a empolgação de ficar um pouco assustada.

De acordo com as pesquisas sobre o medo, para que uma pessoa aprecie se assustar é necessário que ela saiba que está segura. Essa é uma das razões pelas quais as pessoas apreciam montanhas russas, por exemplo. Ainda que se deixem levar por uma queda enorme, aqueles que estão nos carrinhos se sentem seguros em seus assentos. O mesmo acontece quando assistimos a um filme de terror: ainda que tenhamos medo, sabemos que no fundo tudo não passa de vários atores rodeados por inúmeras câmeras.

Precisamos nos certificar de que estamos seguros para podermos apreciar o medo. Isso não quer dizer que diretores e autores possam se aproveitar de construções fáceis e exageradamente utilizadas. Ao invés de aproveitar a ciência que está ao alcance deles, artistas passaram a trabalhar com as jogadas mais básicas e batidas que existem. Até mesmo a criação de ambientes caem dentro do esperado, mantendo o mesmo tipo de narrativa livro após livro.

De certa forma tem a questão da facilidade. Considerando que nos dias atuais toda e qualquer empresa procura vender seu produto independente da qualidade, não é de se surpreender que não estejam procurando por uma melhora no mercado. As pessoas – pelo menos em sua maioria – não procuram uma leitura ou um filme que sejam bons, mas que as mantenham ocupadas e sejam fáceis de assimilar. No entanto, isso tem tirado grande parte do interesse do próprio gênero; se é para ler algo que mal consiga se manter, de que adianta?

Em uma última tentativa de sentir novamente o entusiasmo por um bom calafrio, estou dando a chance para um apanhado de contos. Fico torcendo para que a história seguinte consiga ser melhor que a anterior, mas ainda nada de diferente aconteceu.

Em matéria de entretenimento, que decepção…

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