Bloomsday em Brasília

“A dor da consciência cessou e ele caminhou veloz por ruas escuras. Havia tantas pedras na calçada daquela rua e tantas ruas naquela cidade e tantas cidades no mundo. E, no entanto, a eternidade não tinha fim. Ele estava em pecado mortal.” – Um Retrato do Artista Quando Jovem, James Joyce

Hoje, dia 16/06, é um dia de grande importância na literatura: comemoração do grande autor James Joyce. O nome da celebração – Bloomsday – é baseada no personagem Leopold Bloom, do livro Ulysses.

Pelo mundo todo inúmeras pessoas participam de comemorações. De leituras dramáticas à encenações, mesmo aqueles que só ouviram falar se deixam levar pela inebriante vida de Joyce. Muitas pessoas chegam a ir até a Irlanda, cidade natal do autor, para participar da rota de Bloom pelas ruas de Dublin.

Aqui em Brasília não foi muito diferente: hoje o Sebindo, na comercial da 406 norte, celebrou sua 6ª edição do Bloomsday com muita música, comida e leituras poéticas. Abrindo o evento, integrantes do grupo Tanaman Dùl cantaram duas rápidas músicas para aquecer e depois deram espaço para o embaixador da Irlanda, Brian Glynn. Em um discurso bem direto e instrutivo para aqueles que conheciam pouco da vida de Joyce, Glynn mostrou simpatia e orgulho pela literatura de seu país.

Assim que Glynn terminou seu discurso, o palco foi tomado pelo energético jornalista Antônio Carlos Queiroz. Baseado no penúltimo episódio de Ulysses, “Ithaca”, ele falou sobre o cineasta Eisenstein e sua relação com James Joyce. Enquanto explicava sobre a visão do cineasta em relação à linguagem, Queiroz começou a falar sobre a construção dos ideogramas japoneses. Tendo em vista minha curiosidade e empolgação em relação aos ideogramas chineses, não consegui esconder minha animação. Mais um nome para a minha lista de interesses!

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Após seu discurso, os professores Michelle Alvarenga e André Aires fizeram uma leitura poética de “Ithaca”, que apesar de ter sido interrompida por problemas no microfone e um apagão, eles finalizaram de forma delicada e sutil.

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Para finalizar, os integrantes da banda Tanaman Dùl – Jesse James e Gaje Mansfield – voltaram ao palco e tocaram várias canções irlandesas, acompanhados algumas vezes de dançarinas do Celtas do Cerrado. Entre canções, Jesse James leu trechos de Ulysses, e devo dizer: que leitor! A noite terminou animada e com um grande sentimento saudosista.

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O evento foi muito bem programado, e me deixou com grandes expectativas para o ano que vem. Se continuar crescendo, quem sabe não se torne até mais longo e com mais participações e apresentações?

Referência:
Fotos: Louise Garnier

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