São três da manhã e meu coração pesa.

Uma mão gelada aperta lentamente meu coração, como se precisasse espremer tudo o que existe nele. Minha respiração fica mais rápida e chego a acreditar que tem pequenas pedras puxando meus pulmões para baixo. O mundo vai parando, até que tudo parece morrer, tornando o som do ar que entra em meu corpo em um barulho ensurdecedor.

Eu já perdi a conta de quantas vezes isso aconteceu. Alguns anos atrás eu tinha essa reação quase todo dia, o que torna a situação em algo ainda pior. Junto com o medo chega uma certa familiaridade, como se o meu íntimo em si fosse hostil. A qualquer momento eu espero meu ser romper e liberar o que quer que viva dentro de mim.

São nessas horas que percebo a fragilidade e insignificância de tudo que me cerca. Estou sozinha e sei disso. Mesmo aqueles que mais tentam me ajudar não conseguem porque ninguém pode simplesmente arrancar essa mão que tanto aperta meu coração. Livros, arte, a vida em si só servem como constantes lembranças do que quero alcançar e não posso ter. Depois de anos sofrendo isso, sei que eu mesma também não posso fazer nada.

Curiosamente eu tenho sempre as mesmas ideias: vou mudar de cidade! Vou começar algo novo! Ao mesmo tempo em que essas ideias acabam dando bons frutos, pois me impulsionam a fazer algo diferente e sair da rotina, percebo um grande problema: em todas elas eu procuro fugir de mim. O que é rotina senão a vivência de todo dia comigo mesma? Estar em minha mente, pensar sempre as mesmas coisas, se desanimar sempre com os mesmos problemas… não é o mundo que me cansa, e sim eu mesma. Essas noites cheias de ansiedade em relação a um futuro inexistente simplesmente me esgotam.

A cada minuto que passa eu sinto que tem algo mais ao fundo pedindo por uma fuga. Seja me embrulhar em histórias surreais, seja assistir a algum vídeo e fingir que a realidade em que vivo é na verdade a ilusão… Qualquer ação que segure fora de mim o medo que mais parece uma sombra sentada em meus ombros. Por mais que o peso seja grande e a vontade pareça me engolir viva, não posso ceder. Livros acabam, músicas cessam e vídeos tem fim. Na volta o aperto parece ter piorado e o pânico sobe de uma vez.

Os minutos vão passando, me levando com eles. Como um espírito, vou aos poucos perdendo a forma, desaparecendo no ar. Será que ainda existo? Ou será que nada restou de mim senão um reflexo daquilo que eu gostaria de ser? Estou me tornando um buraco negro, que suga tudo para si e leva para o nada. Estou sumindo. Será que alguém ainda consegue me ver?

Vou descobrir quando o pesadelo acabar e eu finalmente abrir os olhos pela manhã…

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