Vazio

Meus amigos veneram “O Grande Gatsby”. Talvez a obra mais famosa de F. Scott Fitzgerald, o livro é contado pelo ponto de vista de Nick Caraway, um jovem que hipocritamente torce o nariz para a sociedade daqueles que são ricos em função de herança e se acha um homem de bom senso. Em meio a festas, jantares e suas próprias dúvidas, Nick segue sua ligeiramente arrogante narrativa.

Desde que começamos a discutir sobre a história, tenho me sentido agoniada. Quase toda discussão que temos, sempre tem alguém comparando a “vida vazia e sem sentido da alta sociedade, daqueles que se escondem atrás do dinheiro” com a realidade que vivemos. Nós, os “cultos” que vemos nada de mais em festas e bens materiais.

Essa visão me deixa triste. Não somente porque vejo uma certa prepotência na forma com que falam mas também porque me pergunto se eles nunca sentiram um vazio dentro de si. Como podem achar que somente pessoas que vivem em festas são vazias?

Eu entendo a crítica quando ela é voltada para o livro. Afinal, essa era a vida e a sociedade da época. Quando colocada nos dias de hoje, aí sim penso que não faz sentido fazer esse tipo de análise. Nos desenvolvemos tanto para continuar a pensar que todo mundo que gosta de festas e novidades são vazios de mente?!

Eu não gosto de festas; isso não quer dizer que eu não me escondo. Me escondo atrás dos meus livros, do meu ser social, daquilo que esperam que eu seja. Acredito que todos somos assim. Ninguém anda por aí vivendo ao máximo sem um pouco de atuação. Quantas vezes não fazemos algo simplesmente porque é o que esperam de nós? Quantas vezes não mantemos a atenção de alguém em um ponto positivo nosso, escondendo nossas falhas e criando uma visão de pura “perfeição”?

Quantas vezes não dissemos que estava tudo bem em nossas vidas quando nossa mente estava em frangalhos?

O vazio existencial não existe somente em festas e jantares. Ele existe atrás daquele sorriso falso de manhã cedo, daquela prateleira cheia de livros, do diálogo sobre coisas sérias quando na verdade você só quer falar sobre futilidades… Saber ou ser mais do que o outro não torna ninguém mais completo. Somos todos seres que se escondem atrás de algo em uma tentativa desesperada de esconder o vazio que muitas vezes nos fazem duvidar de nossa própria existência. Afinal, como disse o autor Neil Gaiman uma vez, não podemos fugir de nós mesmos.

Vou envelhecendo e me tornando em uma pessoa frustrada com a vida. Me pergunto qual a razão de sequer pensar sobre tudo isso. Então me pego pensando no meu vazio e fujo o mais rápido possível.

Sabe como é, antes que ele me engula…

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