95 anos de Jack Kerouac

“Briguei com meu romance e arranquei dele 2500 gotas ruins de sangue,[…]” – KEROUAC, 2006

Jack Kerouac. Esse nome já reverberou várias vezes na minha cabeça, muitas vezes com raiva, algumas vezes com grande reverência. Passei meus anos adolescentes com verdadeira preguiça dele, pois eu acreditava que ele era nada mais do que somente um bêbado, autor de um livro quase pedante (Ah, a mente adolescente!).

Quando entrei na universidade quase nada mudou. Curiosamente ele jamais foi foco de uma matéria, e praticamente todos os professores jogavam ele e toda a Geração Beat pela janela. Comentários como “Eram jovens bêbados, vulgares e arruaceiros” rotulavam aquela geração jovem e fruto de uma América cheia de pudores e hipocrisia.

No entanto, Kerouac era bem mais do que isso. Um homem que nunca abriu completamente a mão daquilo que acreditava, que procurou dar vazão ao meio asfixiante no qual vivia e que escrevia arduamente. Ainda que ele (e todos aqueles que estavam ao seu redor) realmente tivesse seus problemas, isso não desmerece sua obra nem sua humanidade.

Hoje Kerouac completaria 95 anos. Sua obra mais famosa, On the Road, ainda é tida como um dos marcos da literatura norte-americana, não só pela sua escrita mas pelo mundo descrito pelos olhos de um vagabundo… Pelo olhos de um jovem que procurou a vida onde ela estivesse. Mas não é somente dessa obra que ele se faz: O Mar é Meu Irmão, Cidade Grande e Cidade Pequena, Os Subterrâneos… Obras que provam que Kerouac era mais do que um bom escritor.

Porém para aqueles que desejam realmente sangrar, há de se ler as cartas e os diários dele. Ali há a verdadeira dor e beleza de Jack Kerouac, de uma mente que via o mundo como um triste cenário para se viver a real preciosidade da vida. Quem sabe os leitores tenham sorte e, como eu, encontrem algo além de um triste homem.

Por fim, deixo aqui a minha pequena mas sincera homenagem a um dos autores que mais aprecio, não pelo que escreveu mas sim por tudo aquilo que sentiu:

Há realmente loucura em tudo.

Referência:

BRINKLEY, Douglas. Diários de Jack Kerouac: 1947-1954. Trad. Edmundo Barreiros. Porto Alegre: L&PM, 2006.

Foto: Jack Kerouac by John Cohen, 1959

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