Escrevendo

Eu sou uma bagunça. Minha vida é corrida, minha memória se baseia em ações fora de ordem e minha vida social oscila entre reclusa e expansiva. Meu pensamento ás vezes varia tanto de um tópico para outro que muitas vezes me perco e fico sem saber no que exatamente estava pensando segundos antes. Curiosamente, minha escrita é o oposto disso.

Eu comecei a escrever ainda jovem, e sempre vi na escrita um certo alívio. Somente quando escrevo eu consigo pensar devagar, sem pular de um tema para outro e sem avaliar possíveis desdobramentos ao mesmo tempo. Sinto que minha mente se torna mais clara e que eu consigo analisar melhor tudo aquilo que penso. Com o passar dos anos criei o hábito de manter um caderno pequeno comigo, para poder anotar dúvidas, questionamentos e frases que me interessavam e analisar cada um com cuidado mais tarde.

Em 2017 comecei meu quarto caderno, e percebi que havia muita coisa que me interessava mas que não compartilhava. Muitas perguntas nunca foram respondidas, e outras eu nem sabia por onde começar. Meu conhecimento ou era limitado ou eu não entendia como certos sistemas funcionavam, deixando lacunas gigantes no meu desenvolvimento. Algumas vezes eu não ia além também por preguiça, pois sabia que levaria bastante tempo até eu descobrir onde conseguir certas informações.

Isso tudo não teria sido um grande incômodo se eu não tivesse percebido algumas repetições nos três primeiros cadernos. Questionamentos que eu já havia feito ressurgiam e algumas perguntas não podiam ser respondidas porque me faltava as respostas de outras. Como os meus interesses não mudaram muito nos últimos anos, acabei me prendendo nos mesmos tópicos, sempre voltando para as mesmas perguntas. De que valeu todas as anotações se não consigo seguir em frente?

Por esse e outros motivos decidi que escrever um blog seria uma boa ideia: uma tentativa de discutir com outras pessoas, de abrir minha cabeça e escutar tudo aquilo que antes eu simplesmente deixava de lado. Por meio de textos antigos e novos vou procurar limpar (ou pelo menos diminuir) dúvidas que entopem tanto meus cadernos como minha mente, e quem sabe, arrumar essa bagunça que é minha alma.

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